terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Amanlurélio e Luamanchelis




Essa entrada do blog será um pouquinho mais didática que as outras, mas nem por isso menos interessante.

Uma passada bem rápida pela gramática: Neologismo- palavra nova criada da própria língua ou adaptada de outra.

Uma nova palavra pode ser criada a qualquer momento por qualquer pessoa, basta que haja necessidade de expressar uma ação ou sentimento cujo significado não seja compreendido em nenhuma outra palavra existente.

Também é preciso que a palavra nova esteja de acordo com as regras gramaticais da língua, ou seja, juntar letras e fazer um som estranho não é criar um neologismo, pra isso é necessário um pouquinho de trabalho intelectual aliado a uma boa dose de criatividade.

O terceiro e último passo para que seja efetivado um neologismo é a utilização da palavra por bons autores e essa é a parte mais difícil.

Bom, agora a parte que interessa:

A história começa com duas pessoas conversando no bom e velho Msn.

Eu e Luan para ser mais precisa.No meio da conversa surge a necessidade do neologismo (vontade de dizer uma coisa que não se encontra em nenhum dicionários – pelo menos na hora eu não lembrei de nenhuma palavra que já existisse) e nasce “sozinhíssimo” criada por mim.

Pouco depois, “autocafuné” é criada por Luan, meu interlocutor.

Preenchemos os dois primeiros requisitos, mas, como já disse, a parte mais difícil não conseguimos, encontrar um bom autor (bondoso bom autor) disposto a popularizar nossos recém-nascidos vocábulos.

Essa entrada é para mostrar os dois bebês da língua portuguesa e quem sabe a notícia chegue a um daqueles bons autores recomendados pelos gramáticos e assim possamos registrá-los.

Luan também se encarregou de criar o nome dos dicionários para guardar nossas palavras, porque percebemos que se continuarmos a conversar nesse ritmo muitas novas palavras surgirão.

Heis os nomes: Amanlurélio, para as palavras em português e Luamanchelis, para palavras em inglês (ainda não temos nenhuma, mas elas virão!).

Aceitamos encomendas de palavras e dos dicionários (embora eles possam demorar muito para serem publicados).

Bons autores, se algum de vocês estiver lendo isso...

domingo, 16 de dezembro de 2007

De verão


De repente a cadeira onde eu estava sentada começou a se mexer e eu tive de me levantar.

A cadeira da sala, de estofamento bege, aquela que esteve por anos na mesma posição, sacudia violentamente. As pernas tremiam, o encosto se movimentava para frente e para trás bruscamente, e eu fui obrigada então a ficar em pé.

Por horas estive sentada na bela e velha cadeira, ouvindo uma voz familiar proferindo absurdos. Escutava silenciosamente, enquanto a indignação e a raiva se espalhavam por mim, como um veneno. Só que não fui eu quem teve o choque anafilático. (Ainda bem!)

Absurdo? Absurdo era o que eu estava ouvindo, o resto era da mais absoluta normalidade.

Fiquei feliz pela cadeira ter se manifestado por mim. Eu teria partido para a agressão, perderia alguns parentes, alguns dentes e machucaria entes queridos. Mas a cadeira foi de uma educação ímpar.

Levantei assustada, a cadeira dizendo que precisava falar.

Fez-se silêncio na sala. Alguns se sentaram, no chão, a pedido da cadeira, que solicitou que não esmagassem mais uma vez suas primas. Outros permaneceram de pé, em choque, e a nobre cadeira então começou a dizer o que queria e devia ser dito.

De maneira genial, com inacreditável propriedade vocabular e uma eloqüência inesperada, a cadeira manifestou sua indignação. Passou a mim a palavra e eu também pude, não tão bem quanto ela, expressar parte (só uma pequena parte, porque o resto todo seria impróprio e precisaria de força bruta para ser compreendido) do que sentia.

Pouparei a todos dos detalhes do discurso, do motivo de tanta indignação, raiva e sentimentos afins.

Daqui parto para o final da história, quando os parentes se recompõem, cessa o choro dos mais sensíveis, a cadeira emudece, e eu ainda estou sentada ouvindo aquela mesma voz familiar, pessimista e pequena de alma.

Acho que foi o calor...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Desorientados



No shopping a avó pede a seus netos que vão até a farmácia para buscar um remédio.

Os netos também não entenderam o porquê de comprar um remédio àquela hora no shopping, já que ela aparentava se sentir bem e já tinha tomado todos os comprimidos do dia. Tentaram convencê-la de que era um tanto desnecessário, esforços diplomáticos em vão.

A avó garante aos dois que naquele shopping há uma farmácia e explica o caminho que devem fazer para chegar até ela. Os dois netos deixam a avó e saem, não à procura da farmácia, mas à procura de um daqueles mapas grandões que ficam espalhados pelo shopping para se certificarem de que havia uma farmácia lá e que o caminho que a avó indicou estava certo.

Sim, havia uma farmácia e o caminho estava certo.

Seguindo as placas, descendo a escada rolante... Em cinco minutos chegaram à farmácia, compraram o remédio indicado.

Os dois saem felizes da farmácia com a sensação de dever cumprido e dever cumprido da melhor forma possível.

No caminho de volta, uma loja de relógios chama a atenção. “Uma paradinha só pra olhar não vai comprometer a eficiência do serviço.” –pensam.

Depois de ficarem chocados com os preços exorbitantes na vitrine, um pensamento passa pela cabeça dos dois ao mesmo tempo: “Essa loja estava aqui no caminho de ida?”

“Devia estar, mas estávamos preocupados em achar a tal farmácia, por isso não vimos.” – um tenta convencer o outro.

“Eu só vi uma loja de ternos, que não estou vendo agora...”

Os dois pré-adolescentes olham ao redor. Os dois um tanto paranóicos. Pensam que as coisas estão mudando de lugar no shopping, ou ele já não é mais o mesmo depois que saíram da já famosa farmácia.

Decidem seguir, em algum lugar haviam de chegar.

“Na pior das hipóteses, se nos perdermos é só começar a acenar pra alguma câmera. Vó é esperta e vai pedir ajuda ao segurança pra nos encontrar. Quando ele for olhar nos monitores já estaremos sinalizando”.

Depois de quinze minutos achando tudo estranho, cogitando a possibilidade de o shopping ter algumas passagens secretas e ser bem maior do que o mapa mostrava, procurando câmeras para se sentirem mais seguros sabendo que já podiam estar sendo observados, avistaram a escada rolante. Esperança de que no piso superior encontrassem a avó onde a haviam deixado: na sorveteria bem em frente à escada.

Uma olhada ao redor antes de subirem denunciou a falta de “noção geográfica de ambos, mais de um que de outro é certo.

O que aconteceu com nossos dois personagens foi o seguinte. Sendo o shopping quadrado, saindo da farmácia encontrariam inevitavelmente a escada rolante. Acontece que a escada ficava exatamente na frente da farmácia. Quando os dois saíram da farmácia, viraram para o lado contrário e tiveram que a volta pelo shopping todo até chegar de volta à escada rolante.

Até hoje, um culpa o outro pela falta de orientação geográfica. E sempre que saem juntos a mesma coisa acontece: um desconcentra o outro e os dois terminam fazendo sempre um caminho maior que o necessário.

Ps. Agora os dois já dirigem, não se perdem mais apenas em shoppings... Conselho a quem precisar de alguma encomenda dos dois: espere sentado, um dia eles chegam.

(Esse é pro Chu!)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Voltando

Depois de um tempo de reclusão, heis-me aqui!!!
Sem histórias malucas pra contar dessa vez...
Foi um tempo difícil... trabalho (meu primeiro trabalho!), monografia e fim de faculdade tomam um tempo considerável da gente (eu não sabia que ia ser assim tão corrido).
Até tive vontade de postar alguma coisa aqui, mas eu parecia estar em meio a um tornado, um milhão de coisas pra fazer, documentos da facul pra entregar, e a net instável...
Agora que veio a bonança... segundona e eu aqui... quase de férias...
Novas possibilidades surgem, uma mudança e tanto que eu não devia deixar de tornar pública.
Bom... a minha criatividade parece ter se esgotado, não sei mais o que "postar".
Fica aqui esse singelo registro... Aguardem, (caros leitores invisíveis), em breve estarei de volta!