domingo, 25 de maio de 2008

Dos heróis e as aulas de gramática


O "carinha" da foto ao lado, é o personagem-título de um dos mais antigos poemas épicos anglo-saxões (e isso eu aprendi na faculdade): Beowulf.
O poema narra a história do herói Beowulf, grandão e fortão, que "viaja a corte do rei Hrothgar para livrá-lo da terrível predação do demônio Grendel, um verdadeiro símbolo do mal encarnado, que devora homens inteiros." (copiei da wikipédia, mas arrumei algumas pequenas falhas gramaticais).

Parênteses: identifiquei-me com Grendel. Sim. O que o tornava tão cruel era a alta sensibilidade auditiva. Sempre que havia alguma comemoração no salão de Hrothgar sua ira era despertada e ele era capaz das mais terríveis atrocidades para eliminar a fonte dos sons que tanto incomodavam . Às vezes tenho uma vontadezinha de agir como ele quando alguém fala alto comigo ou liga a televisão com volume alto.

A história, mesmo muito antiga, é bastante interessante. Com seu grande herói e vilões malvados.

Não é a toa que virou filme. Duas vezes.

Foi assistindo à mais nova filmagem do clássico que a idéia (meio confusa) desse post surgiu.
Uma legenda errada, além de risos (que depois me fizeram ficar muito sem graça, na frente de sogrinho e sogrinha, carinhosamente, atenção para o carinhosamente, assim chamados, pais de meu namorado), além de risos, proporcionaram uma profunda reflexão sobre língua, gramática e literatura (e isso em um domingo à tarde).

Logo depois de uma batalha sangrenta, o grande Beowulf deixa escapar: "Os barulho recomeçou". ( Também não posso esquecer do comentário de Luan, depois que eu parei de rir: "Faltou dois plural", espirituoso esse Luan...).

Depois disso eu comecei a pensar no tempo que os grandes heróis passam treinando. A rotina de um herói não deve ser nada fácil.

Atenção: as informações a seguir são para fins ilustrativos, sem compromisso com a verdade (aliás, quase nada nesse blog é muito certo... de intermúndio deveria passar a impreciso - que piadinha sem graça).

Os espartanos tinham um treinamento rígido desde crianças para se tornarem grandes heróis de batalha, será que sobrava tempo para as aulas de gramática?

O equilíbrio é uma coisa difícil de se conseguir... Não dá para ser o melhor em tudo. Há opções, ser mediano em várias coisas ou ser o melhor em uma coisa só. Os heróis se enquadram na segunda categoria.

Creio que para Beowulf não sobrava tempo depois de atravessar o mar a nado, e entre uma batalha e outra.

Os heróis deviam falar errado mesmo.

E contavam com a ajuda dos poetas que depois narrariam suas histórias para transformar seus gritos, uivos, grunhidos e frases erradas em epopéias.

E isso eu acho certo. Cada um fazendo o que sabe fazer melhor, trabalhando para criar uma lenda que durará muitos séculos.

O engraçado seria conhecer os heróis, sem antes passarem pelo "polimento" dos poetas.

E o filme continuou...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Diário de Bordo 04


Com um pouco de atraso, claro, estou aqui para narrar mais uma daquelas histórias que a gente desconfia, depois de algum tempo, se aconteceu mesmo. Então, para não correr o risco desses importantes acontecimentos serem esquecidos ou entrarem para o imaginário coletivo (?) segue a narração.
Cabe lembrar que, assim como nas outras histórias, alguns fatos foram omitidos para preservar relações familiares.


Resgate do Lulu

Missão: buscar o Luan em Campinas e trazê-lo em segurança para Amparo.
Componentes: Amanda, Chu e quase que meu pai vai junto de babá no carro.
Instruções: sair de Amparo por volta das 21 horas em direção a rodoviária de Campinas.
Enquanto isso: Luan sairia da faculdade em Santa Bárbara D'Oeste e o ônibus o deixaria em um ponto próximo à rodoviária.
Poréns: eu e Chu não conhecíamos Campinas tão bem assim e receberíamos as coordenadas geográficas para chegar à rodoviária por celular. Contávamos com o senso geográfico do Luan, o gps do celular do Luan e muita sorte.

Relatório
(horários fictícios em alguns momentos)

21:00- Amanda e Chu deixam Amparo rumo a Campinas

21:30- Em Pedreira (cidade vizinha) primeiro momento de tensão: um policial rodoviário faz um aceno muito estranho para nosso carro. Imaginamos que seria um tchau e não paramos, esperando que ele não nos seguisse.

21:35- Luan liga e diz que chegará antes à rodoviária, diz que é um lugar perigoso e manda termos pressa, mas andar devagar.

21:50- Ligamos para Luan, avisando que estamos em Jaguariúna. Nesse momento eu e o Chu estabelecemos um plano B, porque era certo que Luan ficaria em situação de risco nos esperando na rodoviária.
O plano B: Luan pegaria um táxi na rodoviária e se dirigiria a um ponto mais conhecido e mais movimentado onde nos esperaria. (Não contamos pra ele que já tínhamos certeza de que iríamos atrasar e nem lhe comunicamos sobre o plano B para que ele se sentisse

mais seguro e só em último caso utilizasse o plano B).

22:05- Um vento forte fazia o carro quase sair da pista na pista antes de chegar em Campinas, precisamos ir mais devagar.

22:10- Luan seguiu seu plano B, que era igual ao nosso (muito espertinho ele) e foi parar em uma padaria em algum lugar não muito longe. Nos telefonou de lá e com calma explicava o caminho que deveríamos fazer para encontrá-lo. As mensagens chegavam ao Chu, nosso motorista, com um certo atraso, porque eu tinha de entender o que Luan falava, verificar a descrição que ele fazia do lugar em que estávamos para só depois transmitir ao Chu.

22:12- Chegamos a uma rua que não me era estranha, por onde acho que já tinha passado com o Luan uns dias atrás, sinal de que não estávamos perdidos, ainda.

22:16- Sem encontrar a rua que Luan tinha mandado pegar, voltamos pelo outro lado, com o cuidado de nos certificarmos de que era mesmo o outro lado da mesma rua. Ali, se errássemos o caminho, estaríamos perdidos, pois com toda certeza não conseguiríamos explicar a Luan onde estávamos, e ele também não conseguiria nos colocar novamente no caminho certo.

22:20- Com sucesso, conseguimos voltar pela mesma rua onde estávamos e então encontrar a outra rua que deveríamos pegar.

22:25- Momento crítico: Luan diz para fazermos 1/4 de volta em um balão. Pra mim, foi impossível entender a ordem, nem o Chu imaginou o que poderia ser o 1/4 de volta que o Luan queria. Resultado: demos a volta toda. Um grande defeito meu é começar a rir nas horas de tensão ou perigo. E foi o que aconteceu. O Luan do outro lado da linha não entendia o que estava acontecendo. O Chu já estava em sua segunda volta pelo balão, e eu rindo. Só na sexta volta eu descobri o nome da rua que correspondia ao 1/4 de volta e acertamos o caminho. Aí eu parei de rir.

22:30- Estávamos próximos a Luan. O alívio veio quando conseguimos estabelecer contato visual.

22:32- Colocamos o Luan no carro. Luan chegou muito próximo da hipotermia, fora do carro a sensação térmica era exageradamente fria.
22:35- Agora sim, com o Luan no carro, nos perdemos. Pegamos uma contramão e só percebemos quando estávamos no final da rua.

22:40- Decidimos ir comer cachorro-quente na barraquinha multinacional que o Luan conhecia. Um japonês preparava a iguaria alemã.

23:00- Nós três, no carro, comendo cachorro-quente. O celular do Luan tocou. Era da casa dele. Feliz ele atendeu: Oi mãe! Não era a mãe dele, era seu pai. E o que tem de mais nisso? O pai do Luan, que tinha estado com ele há poucas horas, tinha acabado de chegar na casa dele, vindo de Campinas. Pois é, toda missão de resgate poderia ter sido cancelada se houvesse maior comunicação entre os dois. Mas aí o resgate não teria acontecido, o passeio em Campinas também não, a história toda não teria virado esse post e não teríamos mais uma história pra contar para nossos filhos.

Essa é uma versão provisória, sujeita a erros ( não gramaticais, mas de coerência). Aceito sugestões de como tornar mais clara a história, e também mais detalhes que eu possa ter esquecido.

domingo, 30 de março de 2008

Namorado poodle


A história é assim:

Casa de seus avós, páscoa, família reunida, primeiro dos três dias que ficaram lá. A namorada acabara de ser apresentada à família e ele, o namorado em questão nesse post, foi tomar banho...

No banheiro encontrou um frasco de shampoo. Imaginando que fosse sua mãe quem o tivesse deixado lá, usou o shampoo. A agradável fragrância exalada despertou-lhe o interesse por tão perfumado produto e buscou no rótulo preciosa informação, marca do shampoo, que lhe garantiria cabelos cheirosos por um bom tempo. No rótulo, algumas palavras, quase sem importância, escritas com letras pequenas, pularam na sua frente e foram captadas pelo olhar atento muito antes da marca: "para cães e gatos".
E também usou o condicionador. "Para completar o tratamento."

Do shampoo: O frasco havia sido esquecido ali, por uma tia, após dar banho em sua linda cadelinha yorkshire . O kit para chapinha canina custa mais caro que os shampoos normais e deixa os pêlos sedosos, macios e cheirosos. Também apresenta resultados satisfatórios em humanos, mas não tente fazer isso não.

"Devo comentar que, realmente, o cheiro do shampoo era ótimo. E foi difícil estar ao lado dele sem lembrar de um fofíssimo poodle" . Poodle não, yorkshire, dizia, que é bem mais chique!

Que coisa fofa!


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Olhares

Ele ficou olhando para ela por vários minutos antes que ela perguntasse se havia algo errado.

- Nada.

Continuou o olhar pensativo sobre a moça.

Nos primeiros minutos ela achou bonito o olhar direcionado a ela, e somente a ela, e romanticamente, poeticamente a ela.

Mas depois o olhar pensativo se tornou um olhar superior. E ela estava desafiada a descobrir o que havia por trás daquele olhar de oceano.

Perguntou se estava tudo bem.

-Tudo.

Mais alguns minutos se passaram. O olhar sobre ela.

O mar, e mar revolto, a encarava. E a incomodava não saber do vento, causador de tantas ondas.

Em volta o mundo seguia normalmente, pessoas vivendo, terra girando, e ele imóvel, o olhar imóvel, e ainda sobre ela.

Ela tentou outras perguntas, como chaves. Uma delas abriu o pensamento, atravessou a porta e então ouviu a resposta:

- Às vezes você tem o olhar da minha cadelinha.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Estranha sensação


Entrei na sorveteria pensando em mil coisas...

No balcão, ouvia algumas palavras como menta, chocolate, sim, por favor, muito obrigado, serem ditas por vozes distantes. Deduzia serem as vozes de meu namorado e da moça da sorveteria (bom, não era pra ter ninguém além deles ali).

Lembro que estava observando as fotografias na parede, aquelas de sorvetes enormes, que só existem ali, na foto, porque quando pedimos um igual, nos entregam algo parecido, mas nunca igual...

Estava pensando nisso quando surgiu a pergunta, aquela pergunta.

- O que você vai querer?

E a minha resposta criativa foi:

- Igual ao dele!

- Mas você não disse que não gostava de chocolate com menta?

E ainda passei por mentirosa.

Dias antes disse que detestava qualquer combinação de chocolate com menta.

Toda vez que experimentava algo do tipo tinha a sensação de estar escovando os dentes com chocolate, uma coisa nada higiênica (disse na ocasião, pra defender minha opinião).

- Quero experimentar!

Muito corajosa esperava o milkshake de chocolate com menta e marshmallow ainda olhando as fotografias na parede.

Descobri nessa hora que o tal milkshake era receita do Luan. Em um trabalho minuncioso e calórico ele havia exprerimentado várias combinações de ingredientes até criar a coisa verde que chegava agora em duas taças enormes em nossa mesa.

Em cada uma das duas taças havia, além da coisa verde, um canudo e uma colher. (Vários instrumentos para a abordagem da coisa toda. Sabe aquela coisa de ter vários talheres na mesa em restaurantes de bom gosto? Mais ou menos isso.)

Uma sensação estranha. Sensação de comer pasta de dente e escovar os dentes com chocolate. Não que eu já tenha feito um ou outro (nenhum!).

Descobri que além da colher e do canudo iria precisar de mais de algum instrumento que ainda não tinha sido inventado para comer direito aquilo. (Também não tenho a menor idéia do que seria o talher correto para aquilo).

Parei na metade da taça. A sensação era a de ter comido um tubo de pasta de dente com alguns pedacinhos de chocolate pra ajudar na digestão.

Uma sensação estranha. Até gostei. Pedi uma foto do momento. Essa ao lado do texto. Meio meleca, nada parecido com as fotos da parede, mas (Sabe aquela história de criança interior? - Talvez a minha ainda esteja do lado de fora, mas não vem ao caso-.) a minha criança interior ficou feliz!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Esta entrada tem como único propósito manter o blog atualizado.




Esta entrada tem como único propósito manter o blog atualizado.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Amanlurélio e Luamanchelis




Essa entrada do blog será um pouquinho mais didática que as outras, mas nem por isso menos interessante.

Uma passada bem rápida pela gramática: Neologismo- palavra nova criada da própria língua ou adaptada de outra.

Uma nova palavra pode ser criada a qualquer momento por qualquer pessoa, basta que haja necessidade de expressar uma ação ou sentimento cujo significado não seja compreendido em nenhuma outra palavra existente.

Também é preciso que a palavra nova esteja de acordo com as regras gramaticais da língua, ou seja, juntar letras e fazer um som estranho não é criar um neologismo, pra isso é necessário um pouquinho de trabalho intelectual aliado a uma boa dose de criatividade.

O terceiro e último passo para que seja efetivado um neologismo é a utilização da palavra por bons autores e essa é a parte mais difícil.

Bom, agora a parte que interessa:

A história começa com duas pessoas conversando no bom e velho Msn.

Eu e Luan para ser mais precisa.No meio da conversa surge a necessidade do neologismo (vontade de dizer uma coisa que não se encontra em nenhum dicionários – pelo menos na hora eu não lembrei de nenhuma palavra que já existisse) e nasce “sozinhíssimo” criada por mim.

Pouco depois, “autocafuné” é criada por Luan, meu interlocutor.

Preenchemos os dois primeiros requisitos, mas, como já disse, a parte mais difícil não conseguimos, encontrar um bom autor (bondoso bom autor) disposto a popularizar nossos recém-nascidos vocábulos.

Essa entrada é para mostrar os dois bebês da língua portuguesa e quem sabe a notícia chegue a um daqueles bons autores recomendados pelos gramáticos e assim possamos registrá-los.

Luan também se encarregou de criar o nome dos dicionários para guardar nossas palavras, porque percebemos que se continuarmos a conversar nesse ritmo muitas novas palavras surgirão.

Heis os nomes: Amanlurélio, para as palavras em português e Luamanchelis, para palavras em inglês (ainda não temos nenhuma, mas elas virão!).

Aceitamos encomendas de palavras e dos dicionários (embora eles possam demorar muito para serem publicados).

Bons autores, se algum de vocês estiver lendo isso...