domingo, 18 de novembro de 2007

Diário de Bordo - 03


A idéia do caderno não deu muito certo... Em parte por causa da luz verde, e parte por causa da luz verde.

Começo os relatos da hora em que Carol passou em casa (uma hora depois do combinado, pra variar...). Ela estava sozinha no carro, um fato inédito até então... Logo descobri, que fora do meu campo de visão inicial havia outro carro, a idéia de Carol não era ficar sozinha, era aumentar o número de personagens do Diário de Bordo!!!

Devido a um problema técnico que nos acomete todo final de semana não conseguimos entrar em contato com ninguém... As pessoas com quem conseguíamos nos comunicar pareciam ter ensaiado a reação. No primeiro momento aceitavam o convite cheios de emoção. Cinco minutos depois, quando nossa rota já tinha sido traçada e parcialmente percorrida até a casa da pessoa ela ligava avisando que não iria mais... Isso aconteceu com dois de nossos integrantes em potencial.

Abalados com as reações decidimos nos dirigir à casa de um amigo sem avisar antes... Quem sabe no calor da emoção de nos encontrar ele topasse nos acompanhar. Chegamos ao apartamento, longe, num reino muito distante... Daí veio a vergonha. Da portaria do prédio, em vez de interfonar decidimos telefonar... Quem atendeu o celular? A mãe do amigo. Ele estava como um anjinho na cama, dormindo...

Daí éramos só nós mesmo... Cabíamos em um carro só, mas já que estávamos com dois... Foi algo bem difícil pensar na logística... Porque, como já disse, a rota era mudada de cinco em cinco minutos, e só o motorista de um carro era avisado.

Acontecia assim: Parávamos um carro ao lado do outro. Combinávamos a rota... Quatro ou cinco quarteirões depois dá-lhe farol alto e buzina pra avisar o carro da frente que o caminho era outro. Não entendi até agora porque não telefonavam nunca para o celular de um dos ocupantes do carro da frente pra dizer que não iam mais...

Sabe aquela coisa que o Machado de Assis faz nos livros dele? Aquela coisa de microcapítulos digressivos? Acho que vou precisar me utilizar desse recurso agora, claro que não com o mesmo brilhantismo, não chego nem aos pés de Machado... Lá vai

No supermercado

Uma amiga, muito corajosa, a Raquel, decidiu nos acompanhar e não mudou de idéia. Fomos até a casa dela. Ela escolheu o carro da Carol, onde eu estava. No outro carro, o da Meire, estavam ela e o Vald, só pra situar...

Decidimos ir ao supermercado pra comprar algumas coisas. Como a bebida estava quente, alguém teve a idéia brilhante de esconder as pequenas garrafas numa geladeira, ir dar uma volta pelo supermercado, pegar o resto das coisas e voltar à geladeira depois para buscar as garrafas já geladas... Até agora não sei como ninguém brigou com a gente por causa disso... Tinha uma câmera bem na frente da geladeira, e o pessoal não foi nem um pouco discreto...

Discutimos um bom tanto sobre o que íamos levar, e acabamos por levar um monte de salgadinhos. Embora minha consciência gritasse que mesmo depois de tanto salgadinho o pessoal ainda ia parar em uma lanchonete, ou quem sabe um restaurante, eu concordei com a idéia de levar aquele monte de batata e similares. Mas não sem antes comunicar a alguém (a Meire foi escolhida), pra que minha consciência ficasse livre e parasse de gritar no meu ouvido.

Só quando as bebidas já estavam geladas, ou quase isso, é que eu decidi que deveria levar um suco... Minha única opção não alcoólica foi um suco de maracujá daqueles pra criança que vêm com canudinho, e ainda tive de tomá-lo quente mesmo.

Compras feitas, garrafas geladas, rumamos para o apartamento de nosso amigo. Findo o capítulo.

Continuando...

Ninguém mais para nos acompanhar, amigo dormindo... Fomos para um lugar alto, que tinha uma vista linda, mas não era o mesmo do post anterior. A diferença era um detalhe (insignificante detalhe!). A luz verde.

Descemos do caro com aquele monte de sacolinhas, era praticamente um piquenique faltava só a toalha xadrez. Subimos uma escada enorme... Lá em cima, uma rodinha de gente de preto conversava... Eu fiquei assustada. Carol me consolou: quem sabe não é gente que eu conheço, ela disse. Não era. Mas, por sorte, eles não eram uma seita e não estavam no meio de um ritual, ou já tinham acabado quando chegamos. (Não que eu tenha preconceito, é que coisas assim me assustam.).

O piquenique foi feito sob aquela luz verde, a luz verde que iluminava todo o local, e quase me deixou louca. Não conseguia enxergar direito com aquela coisa palmeirense em meus olhos (nada contra os palmeirenses também!).

Depois de comer, enquanto o pessoal conversava, tentei começar a escrever... (Prometi e cumpri, peguei um caderno, coloquei em uma pasta preta pra ficar menos feio e levei comigo).

Com a luz verde era quase impossível... Rabisquei algumas garatujas no papel, sem esperanças de obter um bom resultado.

O pessoal não decidia se me apoiava ou detestava a idéia de eu estar escrevendo. Em meio a pedidos de “anota isso também” e “fala do guaxinim” eu recebia as embalagens dos salgadinhos na cabeça com pedidos de “pára com isso” e “participa da conversa”.

Atendendo a pedidos, preciso mencionar um ser corintiano (viu como não tenho preconceito?) que apareceu em uma árvore. Chegaram à conclusão de que era um guaxinim, mas eu acho difícil um guaxinim na fauna brasileira, dando o ar da graça em uma mangueira... Ele se recusou a responder os gritos de “Pare, identifique-se!” e sumiu. Eu não cheguei a ver o ser porque estava concentrada nos escritos, mas fiquei sabendo depois que o ser era um gambá. (Ficou bom assim, Meire?)

O que consegui acompanhar foi um campeonato de quem coloca o maior número de salgadinhos na boca. Carol bateu Meire, com vinte e cinco, e mais cinco minutos de mastigação.

Desisti de escrever lá em cima... Mas levarei o caderno da próxima vez.

Depois da bagunça e do monte de salgadinhos, adivinha o que fomos fazer? Comer em uma lanchonete. (aplausos para a minha consciência!).

Um frio violento na rua, e eu era a única sem casaco. Agradecimentos especiais a Raquel, que fez todo mundo ficar dentro da lanchonete e não sentar nas mesinhas na calçada.

O caminho de volta para a minha casa foi mais tranqüilo. Um clima hollywoodiano tomou conta de todos e decidimos encenar as mais perigosas cenas de ação com carros... Já que tínhamos dois carros e duas motoristas loucas. E teve de tudo, ultrapassagens radicais, perseguição, andar no escuro de faróis apagados, com direito até a uma cena clássica: entramos em uma contramão sem querer, o carro da frente voltou de ré enquanto Carol manobrava e aí, não podíamos perder a oportunidade, esperamos o carro se afastar e Carol acelerou e foi assim até quase encostar no outro carro. Nessa hora, todos pensamos que o Vald tivesse tido um filho, mas ficou tudo bem com ele.

Depois disso, todos cansados, a volta pra casa foi tranqüila, fui a primeira a ser despejada.

As pessoas têm gostado da idéia do Diário de Bordo. Espero estar atingindo as expectativas e gostaria de dizer que aceito sugestões e críticas. Obrigada pelo apoio!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Diário de Bordo - 02


As pessoas pedem para eu escrever. Querem que eu narre as histórias, querem que eu faça um diário de bordo. Me sinto como Pero Vaz de Caminha. Não tenho a mesma importância histórica, nem o mesmo valor literário. Em alguns anos, os meus escritos não vão ser estudados nas escolas. Mas os amigos que vierem a ler encontrarão nessas linhas a lembrança de preciosos momentos que passamos juntos. É por isso que não me importo de gastar um bom tempo pensando na melhor forma de escrever tudo isso. É por isso que estou aqui agora.

A fidelidade aos fatos não é minha prioridade. Não há mentiras aqui, não é isso. Alguns acontecimentos são enfeitados, acrescidos de cor. Mas não todos. Embora pareçam irreais, os fatos narrados todos aconteceram, apenas passam por enriquecimento literário.

Mas chega de sentimentalismo e metalinguagem. Não é minha intenção escrever algo sério, e esse texto parece estar ficando cada vez mais próximo ao Prefácio Interessantíssimo de Mário de Andrade.

Vamos ao que interessa.

Não são Grandes Navegações. Não há barcos, mar, mas há muita aventura e grandes descobertas.

Os limites municipais não foram ultrapassados. Regras de trânsito não foram desobedecidas, bem como as do Código Civil.

Foi só uma noite comum, estranha como todas as outras.

A feição deles é não serem pardos. Não são os índios de Pero Vaz, são Carol, Vald e Vânia, que passaram na porta de casa. Carol, motorista oficial. Eu e Bia (ela se arriscando muito só por um milkshake) entramos no carro.

Como o antecipado, fomos tomar milkshake, em uma noite um tanto fria pra isso. Depois de uma meleca na mesa, que eu e Carol fizemos (a Carol mais que eu, porque conseguiu sujar até a blusa, inacreditavelmente), e depois de algumas risadas (o pessoal estava meio sério... será que era por causa da Bia – ela já está acostumada gente, convive comigo desde que nasceu...) rumamos para outro lugar. Um lugar que não é um dos meus preferidos, mas tem uma vista linda.

Por causa do vento frio da chuva fina, o pessoal não quis ficar olhando a cidade lá de cima e decidiram entrar na lanchonete que fica ali.

A Carol quis comer. Eu, que já tinha comido um pacote de salgadinho depois do milkshake não queria nem pensar em comer para não correr o risco de uma congestão. Mas a Carol pediu, batata e refrigerante, contra todos os ocupantes da mesa.

À nossa disposição havia um karaoquê. (Palavra mais estranha, não dá pra saber de onde vem, nem imaginar o que é pela etimologia... Quem a inventou deve ter pensado exatamente nisso... Se foi você que está lendo agora, entre em contato, deixe um comentário, será um prazer conversar com o criador de um vocábulo!).

O karaoquê à disposição, e a vergonha instalada na mesa, ao lado do menu de músicas que o garçom trouxe. Cada um escolheu uma música que queria que o outro fosse cantar, quem foi cantar? Ninguém...

Fiquei cogitando a possibilidade de irmos os cinco ao pequeno palco improvisado... A cena que passava na minha imaginação era a que se segue:

- Vamos lá?

- Vamos!

- Põe a música!

Todos no palco, notas iniciais da música, pessoas olhando pra nós... A música vai começar... Corações acelerados... Primeiras palavras aparecem na TV... Um, dois, três e...

- KKKKKK!!!! (risadas, risadas, risadas).

Ninguém canta, todo mundo ri...

A música já na metade e ninguém consegue controlar o riso... O garçom fica bravo, as pessoas das mesas ficam bravas, até o Vald fica bravo.

Daí ninguém ter ido cantar...

O pessoal já queria ir embora, e a batata da Carol lá estava... Ninguém quis ajudá-la a comer... Eu ajudei. Com auxílio de um palito, espetava batatas e dava pra Carol... Numa velocidade espantosa... Em menos de três minutos mais da metade das batatas já tinham sumido do prato...

Uma volta pela cidade, que é pequena, por isso não levou mais do que 6 minutos e fui a primeira a ser descarregada. A Carol já prometeu que quando mudar para o prédio aqui perto e for minha vizinha serei a última despejada (até parece nome de filme, em breve em um cinema perto de você A Última Despejada – que horror!!!- ). Acho que o Vald, atual último, não gostou da idéia, mas se isso vier a acontecer ele há de superar!

Esse capítulo do Diário de Bordo se encerra aqui. Espero ser convidada para a próxima incursão (não é bem esse o termo, mas é o único que me ocorre agora).

(Providenciei um caderno, na falta de um notebook, pra levar comigo, para que nenhum detalhe se perca. Acho que vai ser bastante útil. Falta ainda um mapa, bússola, comida enlatada... E gostei do lance de Pero Vaz... A Carol motorista, o Vald co-piloto e eu no cargo de escrivã, interessante...).

sábado, 10 de novembro de 2007

Nossa Língua Portuguesa... no combate ao crime

A Língua Portuguesa encontrou mais uma função:
agora também trabalha no combate ao crime.


Dona Língua Portuguesa denunciou à polícia facínoras com um plano infalível. Eles estavam em um carro da empresa "Impório Santa Maria". Aos olhos comuns o sutil erro ortográfico passa despercebido, mas aos olhos da sagaz Língua Portuguesa nenhum detalhe escapa. A Língua Portuguesa apontou o carro e a polícia foi atrás. No Fiat Dobló estavam oito homens, várias armas, entre elas fuzis e metralhadores, coletes à prova de bala e instrumentos para arrombamento de cofres. O plano dos facínoras era entrar em um edfício de luxo disfarçados de entregadores de cesta de Natal e depois assaltar os apartamentos.

Bem que eu sabia que ficar procurando erros de português por aí tinha alguma utilidade...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Diário de Bordo - 01

Podemos começar essa narrativa quando Carol ultrapassa um Opala, com seu Pálio 1.0 em uma subida. (Há alguns mistérios dos carros 1.0 que eu acho que nunca vou entender...).

A parte que não avisamos pra ninguém onde íamos e nem mesmo nós sabíamos nosso destino, a gente pula...

Acontece que: (alguns minutos antes...)

Sem nada pra fazer, pedi o carro emprestado pro meu pai... ele, muito bonzinho, disse que “nem pensar”. Ele não emprestaria carro num sábado à noite com chuva...

Não tinha sido um dia bom, naquela tarde eu iria à piscina, se não tivesse chegado ao clube exatos dois minutos antes de uma tempestade que durou horas... Às dez e meia sem esperanças de fazer alguma coisa do meu sábado à noite, eu estava circulando tristemente pelo msn...

Lá encontrei a Carol, que me deu 10 minutos para que eu me arrumasse para sair com ela.

Muito rapidamente (porque estava felicíssima com a guinada da noite) eu estava pronta e a Carol passava na porta de casa pra me pegar. No carro também estava o Vald, que tentava se comunicar no celular insistentemente, desesperadamente...

Depois de infinitas tentativas inúteis de um contato com outros amigos, os dois se conformaram em ter só a mim como companhia e decidimos sublimar essa frustração com um passeio.

Estamos de volta à cena da ultrapassagem.

Tentamos, mas não conseguimos encontrar a casa de ninguém... Nos perdemos, entramos na contra-mão de muitas ruas e desistimos (de verdade agora, de encontrarmos os amigos desaparecidos).

Continuamos o passeio, a idéia agora era encontrar uma lanchonete, barzinho, restaurante, o que quer fosse que não tivéssemos freqüentado ainda, só pra fazer alguma coisa diferente.

Muitos postes com fadinhas depois, muitos cachorros soltos pela rua depois, e principalmente depois de uma situação de perigo muito clara com a qual eu não me abalei, a Carol ignorou o fato de sentir medo e o Vald começou a comer pipoca doce - aquela uma do pacotinho que estava há aproximadamente um mês debaixo do banco do carro – chegamos ao nosso destino.

Surpreendentemente encontramos lá aqueles amigos que estavam incomunicáveis... (Mais mistérios daqueles que a gente nunca entende.).

A partir daí as coisas tomam outro rumo. Não nós, que fique bem claro que depois disso decidimos não mais sair dali.

O plano era o seguinte: meu nome agora seria Marie, era eu uma parisiense que falava inglês (o ser parisiense era pra, se caso encontrássemos alguém que falasse inglês, termos uma desculpa para possíveis erros e uma pronúncia não tão perfeita assim). A Carol seria minha “personal translation please” e o Vald ia ser o cara das piadinhas (pra variar).

Lá estávamos nós em uma modesta lanchonete, onde tudo era caro demais, e já sem fome por termos comido todo o pacote da pipoca doce que desconfio até agora estar com fungos (o que explicaria o plano infalível e com fins didáticos mais sem noção que já coloquei em prática). Lá estávamos nós e decidimos então ficar só com strawberry juice e Coca-Cola.

Minha “personal translation please” se enrolava tentando desmisturar o português e o inglês da cabeça dela para falar comigo e o garçom. Entre nós duas tudo bem, o difícil pra ela era falar ao garçom o simples português “ela quer um suco de morango com água e não com leite, por favor”. Enquanto ela se enrolava eu me concentrava no papel estrangeiro pra não rir na frente do garçom da cara do Vald tentando me convencer a pedir um “big salsichon”.

Estava arrependida da brincadeira pensando que tinha ficado muito fajuta, e o garçom só não nos tinha desmascarado por pena. Porém, tudo mudou quando mais um amigo da Carol e do Vald surgiu e lhe fui apresentada como Marie. Conseguimos confundi-lo, isso pra mim foi o “start” pra começar a falar (em inglês) como uma matraca. Fato que irritou o Vald que voltou a falar do tal do “big salsichon” e não sei mais o que pra descontar a raiva e o pouquinho de vergonha que sentia.

Não sei quantos litros de strawberry juice eu bebi... sei que depois de não agüentar mais nem uma gota ainda sobrou suco pra Carol jogar na plantinha da rua depois.

Saímos vitoriosos da lanchonete depois de saber que o garçom tinha perguntado ao amigo da Carol de onde eu era e ele havia confirmado a história louca.

Já está combinado, da próxima vez vou dizer vim de Karakucanga, uma pequena região da Austrália, e estou aprendendo inglês... (Cuidado garçons do mundo!!!)

Depois disso, pra fechar a noite, uma chuvona começou a cair...

Quase três da manhã a Carol me deixou em casa com a incumbência de registrar a história em um diário de bordo que será postado no meu blog.

Hoje eu iria acordar cedo e ir pra piscina, mas está chovendo desde ontem... Por causa disso a internet aqui parou de funcionar, vai demorar pra essa história ir pro blog... Mas já está tudo registrado. E tenho uma notícia ruim pra Carol... acordei com minha mãe fazendo uma investigação pra saber de quem era o sapato com barro que sujou a casa toda... e era o meu... Seu carro deve ter ainda resquícios se não um montão de barro que se for levado para análise pode nos comprometer...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

História triste



Meninos apenas,
Não sabiam,
E ninguém sabia,
Que o vento traria
Uma tempestade.

Naquela noite calma até então
Os três entraram no carro
Com promessas de aventura.

Então o inesperado aconteceu
E nem mesmo toda a força
Da amizade
Foi suficiente.

Os gritos do pai cortavam a madrugada
E depois, só o barulho da chuva
Triste som, triste noite,
Uma história triste.


Amanda Bertoni