
O "carinha" da foto ao lado, é o personagem-título de um dos mais antigos poemas épicos anglo-saxões (e isso eu aprendi na faculdade): Beowulf.
O poema narra a história do herói Beowulf, grandão e fortão, que "viaja a corte do rei Hrothgar para livrá-lo da terrível predação do demônio Grendel, um verdadeiro símbolo do mal encarnado, que devora homens inteiros." (copiei da wikipédia, mas arrumei algumas pequenas falhas gramaticais).
Parênteses: identifiquei-me com Grendel. Sim. O que o tornava tão cruel era a alta sensibilidade auditiva. Sempre que havia alguma comemoração no salão de Hrothgar sua ira era despertada e ele era capaz das mais terríveis atrocidades para eliminar a fonte dos sons que tanto incomodavam . Às vezes tenho uma vontadezinha de agir como ele quando alguém fala alto comigo ou liga a televisão com volume alto.
A história, mesmo muito antiga, é bastante interessante. Com seu grande herói e vilões malvados.
Não é a toa que virou filme. Duas vezes.
Foi assistindo à mais nova filmagem do clássico que a idéia (meio confusa) desse post surgiu.
Uma legenda errada, além de risos (que depois me fizeram ficar muito sem graça, na frente de sogrinho e sogrinha, carinhosamente, atenção para o carinhosamente, assim chamados, pais de meu namorado), além de risos, proporcionaram uma profunda reflexão sobre língua, gramática e literatura (e isso em um domingo à tarde).
Logo depois de uma batalha sangrenta, o grande Beowulf deixa escapar: "Os barulho recomeçou". ( Também não posso esquecer do comentário de Luan, depois que eu parei de rir: "Faltou dois plural", espirituoso esse Luan...).
Depois disso eu comecei a pensar no tempo que os grandes heróis passam treinando. A rotina de um herói não deve ser nada fácil.
Atenção: as informações a seguir são para fins ilustrativos, sem compromisso com a verdade (aliás, quase nada nesse blog é muito certo... de intermúndio deveria passar a impreciso - que piadinha sem graça).
Os espartanos tinham um treinamento rígido desde crianças para se tornarem grandes heróis de batalha, será que sobrava tempo para as aulas de gramática?
O equilíbrio é uma coisa difícil de se conseguir... Não dá para ser o melhor
Creio que para Beowulf não sobrava tempo depois de atravessar o mar a nado, e entre uma batalha e outra.
Os heróis deviam falar errado mesmo.
E contavam com a ajuda dos poetas que depois narrariam suas histórias para transformar seus gritos, uivos, grunhidos e frases erradas em epopéias.
E isso eu acho certo. Cada um fazendo o que sabe fazer melhor, trabalhando para criar uma lenda que durará muitos séculos.
O engraçado seria conhecer os heróis, sem antes passarem pelo "polimento" dos poetas.
E o filme continuou...

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