
A idéia do caderno não deu muito certo... Em parte por causa da luz verde, e parte por causa da luz verde.
Começo os relatos da hora
Devido a um problema técnico que nos acomete todo final de semana não conseguimos entrar em contato com ninguém... As pessoas com quem conseguíamos nos comunicar pareciam ter ensaiado a reação. No primeiro momento aceitavam o convite cheios de emoção. Cinco minutos depois, quando nossa rota já tinha sido traçada e parcialmente percorrida até a casa da pessoa ela ligava avisando que não iria mais... Isso aconteceu com dois de nossos integrantes em potencial.
Abalados com as reações decidimos nos dirigir à casa de um amigo sem avisar antes... Quem sabe no calor da emoção de nos encontrar ele topasse nos acompanhar. Chegamos ao apartamento, longe, num reino muito distante... Daí veio a vergonha. Da portaria do prédio, em vez de interfonar decidimos telefonar... Quem atendeu o celular? A mãe do amigo. Ele estava como um anjinho na cama, dormindo...
Daí éramos só nós mesmo... Cabíamos em um carro só, mas já que estávamos com dois... Foi algo bem difícil pensar na logística... Porque, como já disse, a rota era mudada de cinco em cinco minutos, e só o motorista de um carro era avisado.
Acontecia assim: Parávamos um carro ao lado do outro. Combinávamos a rota... Quatro ou cinco quarteirões depois dá-lhe farol alto e buzina pra avisar o carro da frente que o caminho era outro. Não entendi até agora porque não telefonavam nunca para o celular de um dos ocupantes do carro da frente pra dizer que não iam mais...
Sabe aquela coisa que o Machado de Assis faz nos livros dele? Aquela coisa de microcapítulos digressivos? Acho que vou precisar me utilizar desse recurso agora, claro que não com o mesmo brilhantismo, não chego nem aos pés de Machado... Lá vai
No supermercado
Uma amiga, muito corajosa, a Raquel, decidiu nos acompanhar e não mudou de idéia. Fomos até a casa dela. Ela escolheu o carro da Carol, onde eu estava. No outro carro, o da Meire, estavam ela e o Vald, só pra situar...
Decidimos ir ao supermercado pra comprar algumas coisas. Como a bebida estava quente, alguém teve a idéia brilhante de esconder as pequenas garrafas numa geladeira, ir dar uma volta pelo supermercado, pegar o resto das coisas e voltar à geladeira depois para buscar as garrafas já geladas... Até agora não sei como ninguém brigou com a gente por causa disso... Tinha uma câmera bem na frente da geladeira, e o pessoal não foi nem um pouco discreto...
Discutimos um bom tanto sobre o que íamos levar, e acabamos por levar um monte de salgadinhos. Embora minha consciência gritasse que mesmo depois de tanto salgadinho o pessoal ainda ia parar em uma lanchonete, ou quem sabe um restaurante, eu concordei com a idéia de levar aquele monte de batata e similares. Mas não sem antes comunicar a alguém (a Meire foi escolhida), pra que minha consciência ficasse livre e parasse de gritar no meu ouvido.
Só quando as bebidas já estavam geladas, ou quase isso, é que eu decidi que deveria levar um suco... Minha única opção não alcoólica foi um suco de maracujá daqueles pra criança que vêm com canudinho, e ainda tive de tomá-lo quente mesmo.
Compras feitas, garrafas geladas, rumamos para o apartamento de nosso amigo. Findo o capítulo.
Continuando...
Ninguém mais para nos acompanhar, amigo dormindo... Fomos para um lugar alto, que tinha uma vista linda, mas não era o mesmo do post anterior. A diferença era um detalhe (insignificante detalhe!). A luz verde.
Descemos do caro com aquele monte de sacolinhas, era praticamente um piquenique faltava só a toalha xadrez. Subimos uma escada enorme... Lá em cima, uma rodinha de gente de preto conversava... Eu fiquei assustada. Carol me consolou: quem sabe não é gente que eu conheço, ela disse. Não era. Mas, por sorte, eles não eram uma seita e não estavam no meio de um ritual, ou já tinham acabado quando chegamos. (Não que eu tenha preconceito, é que coisas assim me assustam.).
O piquenique foi feito sob aquela luz verde, a luz verde que iluminava todo o local, e quase me deixou louca. Não conseguia enxergar direito com aquela coisa palmeirense em meus olhos (nada contra os palmeirenses também!).
Depois de comer, enquanto o pessoal conversava, tentei começar a escrever... (Prometi e cumpri, peguei um caderno, coloquei em uma pasta preta pra ficar menos feio e levei comigo).
Com a luz verde era quase impossível... Rabisquei algumas garatujas no papel, sem esperanças de obter um bom resultado.
O pessoal não decidia se me apoiava ou detestava a idéia de eu estar escrevendo. Em meio a pedidos de “anota isso também” e “fala do guaxinim” eu recebia as embalagens dos salgadinhos na cabeça com pedidos de “pára com isso” e “participa da conversa”.
Atendendo a pedidos, preciso mencionar um ser corintiano (viu como não tenho preconceito?) que apareceu em uma árvore. Chegaram à conclusão de que era um guaxinim, mas eu acho difícil um guaxinim na fauna brasileira, dando o ar da graça em uma mangueira... Ele se recusou a responder os gritos de “Pare, identifique-se!” e sumiu. Eu não cheguei a ver o ser porque estava concentrada nos escritos, mas fiquei sabendo depois que o ser era um gambá. (Ficou bom assim, Meire?)
O que consegui acompanhar foi um campeonato de quem coloca o maior número de salgadinhos na boca. Carol bateu Meire, com vinte e cinco, e mais cinco minutos de mastigação.
Desisti de escrever lá em cima... Mas levarei o caderno da próxima vez.
Depois da bagunça e do monte de salgadinhos, adivinha o que fomos fazer? Comer em uma lanchonete. (aplausos para a minha consciência!).
Um frio violento na rua, e eu era a única sem casaco. Agradecimentos especiais a Raquel, que fez todo mundo ficar dentro da lanchonete e não sentar nas mesinhas na calçada.
O caminho de volta para a minha casa foi mais tranqüilo. Um clima hollywoodiano tomou conta de todos e decidimos encenar as mais perigosas cenas de ação com carros... Já que tínhamos dois carros e duas motoristas loucas. E teve de tudo, ultrapassagens radicais, perseguição, andar no escuro de faróis apagados, com direito até a uma cena clássica: entramos em uma contramão sem querer, o carro da frente voltou de ré enquanto Carol manobrava e aí, não podíamos perder a oportunidade, esperamos o carro se afastar e Carol acelerou e foi assim até quase encostar no outro carro. Nessa hora, todos pensamos que o Vald tivesse tido um filho, mas ficou tudo bem com ele.
Depois disso, todos cansados, a volta pra casa foi tranqüila, fui a primeira a ser despejada.
As pessoas têm gostado da idéia do Diário de Bordo. Espero estar atingindo as expectativas e gostaria de dizer que aceito sugestões e críticas. Obrigada pelo apoio!

1 comentários:
Hummm...luz verde?!
Ela me lembra Porco...isso não é bom.
É muito interessante viver um fato e vê-lo narrado por outra pessoa. Seu trabalho é digno de "paga-pau", porque eu certamente paguei, rsrs.
Em relação as rotas, houve uma má interpretação do farol alto, e acabei fazendo um gesto feio, kkk, "tadinha" da Carol.
Lá no supermercado, foi prometido que uma foto seria tirada,e isso não aconteceu, =/ .
Quanto as bebidas, eu deveria ter levado coca.
Lá naquela árvore no alto do morro, talvez fosse uma nova espécie de guaxinim-gambá, com descendência de raposa-do-mato, na qual eu concluo que mais fácil seria dizer ser um gato. É que na hora eu não lembrei que ele existia, rsrs.
No campeonato houve um erro. Como era impossível entender o que a Carol falava,e ela, o que eu também falava, achei que ela já estava nos trinta e cinco, ou trinta e seis.Só depois dos cinco minutos de mastigação, que fiquei sabendo que ela me venceu por um, mas nem questionei. Ela tinha que ganhar em alguma coisa, porque no volante,podemos ter o título de "loucas", mas a Carol é muito mais "braço" que eu, kkkkkkkk. Eu não entendi até agora, porque que ela gosta tanto de fica treinando prova de morro. Aliás, Amanda, você tem seguro de vida?!!! rsrs
;D
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