
As pessoas pedem para eu escrever. Querem que eu narre as histórias, querem que eu faça um diário de bordo. Me sinto como Pero Vaz de Caminha. Não tenho a mesma importância histórica, nem o mesmo valor literário. Em alguns anos, os meus escritos não vão ser estudados nas escolas. Mas os amigos que vierem a ler encontrarão nessas linhas a lembrança de preciosos momentos que passamos juntos. É por isso que não me importo de gastar um bom tempo pensando na melhor forma de escrever tudo isso. É por isso que estou aqui agora.
A fidelidade aos fatos não é minha prioridade. Não há mentiras aqui, não é isso. Alguns acontecimentos são enfeitados, acrescidos de cor. Mas não todos. Embora pareçam irreais, os fatos narrados todos aconteceram, apenas passam por enriquecimento literário.
Mas chega de sentimentalismo e metalinguagem. Não é minha intenção escrever algo sério, e esse texto parece estar ficando cada vez mais próximo ao Prefácio Interessantíssimo de Mário de Andrade.
Vamos ao que interessa.
Não são Grandes Navegações. Não há barcos, mar, mas há muita aventura e grandes descobertas.
Os limites municipais não foram ultrapassados. Regras de trânsito não foram desobedecidas, bem como as do Código Civil.
Foi só uma noite comum, estranha como todas as outras.
A feição deles é não serem pardos. Não são os índios de Pero Vaz, são Carol, Vald e Vânia, que passaram na porta de casa. Carol, motorista oficial. Eu e Bia (ela se arriscando muito só por um milkshake) entramos no carro.
Como o antecipado, fomos tomar milkshake, em uma noite um tanto fria pra isso. Depois de uma meleca na mesa, que eu e Carol fizemos (a Carol mais que eu, porque conseguiu sujar até a blusa, inacreditavelmente), e depois de algumas risadas (o pessoal estava meio sério... será que era por causa da Bia – ela já está acostumada gente, convive comigo desde que nasceu...) rumamos para outro lugar. Um lugar que não é um dos meus preferidos, mas tem uma vista linda.
Por causa do vento frio da chuva fina, o pessoal não quis ficar olhando a cidade lá de cima e decidiram entrar na lanchonete que fica ali.
A Carol quis comer. Eu, que já tinha comido um pacote de salgadinho depois do milkshake não queria nem pensar em comer para não correr o risco de uma congestão. Mas a Carol pediu, batata e refrigerante, contra todos os ocupantes da mesa.
À nossa disposição havia um karaoquê. (Palavra mais estranha, não dá pra saber de onde vem, nem imaginar o que é pela etimologia... Quem a inventou deve ter pensado exatamente nisso... Se foi você que está lendo agora, entre em contato, deixe um comentário, será um prazer conversar com o criador de um vocábulo!).
O karaoquê à disposição, e a vergonha instalada na mesa, ao lado do menu de músicas que o garçom trouxe. Cada um escolheu uma música que queria que o outro fosse cantar, quem foi cantar? Ninguém...
Fiquei cogitando a possibilidade de irmos os cinco ao pequeno palco improvisado... A cena que passava na minha imaginação era a que se segue:
- Vamos lá?
- Vamos!
- Põe a música!
Todos no palco, notas iniciais da música, pessoas olhando pra nós... A música vai começar... Corações acelerados... Primeiras palavras aparecem na TV... Um, dois, três e...
- KKKKKK!!!! (risadas, risadas, risadas).
Ninguém canta, todo mundo ri...
A música já na metade e ninguém consegue controlar o riso... O garçom fica bravo, as pessoas das mesas ficam bravas, até o Vald fica bravo.
Daí ninguém ter ido cantar...
O pessoal já queria ir embora, e a batata da Carol lá estava... Ninguém quis ajudá-la a comer... Eu ajudei. Com auxílio de um palito, espetava batatas e dava pra Carol... Numa velocidade espantosa... Em menos de três minutos mais da metade das batatas já tinham sumido do prato...
Uma volta pela cidade, que é pequena, por isso não levou mais do que 6 minutos e fui a primeira a ser descarregada. A Carol já prometeu que quando mudar para o prédio aqui perto e for minha vizinha serei a última despejada (até parece nome de filme, em breve em um cinema perto de você A Última Despejada – que horror!!!- ). Acho que o Vald, atual último, não gostou da idéia, mas se isso vier a acontecer ele há de superar!
Esse capítulo do Diário de Bordo se encerra aqui. Espero ser convidada para a próxima incursão (não é bem esse o termo, mas é o único que me ocorre agora).
(Providenciei um caderno, na falta de um notebook, pra levar comigo, para que nenhum detalhe se perca. Acho que vai ser bastante útil. Falta ainda um mapa, bússola, comida enlatada... E gostei do lance de Pero Vaz... A Carol motorista, o Vald co-piloto e eu no cargo de escrivã, interessante...).

1 comentários:
Olá! Meu nome é Eliane e conheço a Carol, que me fez o pedido de postar em sua página. Aqui vai:
"Um brinde à amizade, carro-chefe de nossas vidas, motor da segurança em nossas descobertas! Atemporal amizade, tu que a tudo enfeita, que dá às coisas uma razão de ser e estar. Verdadeira amizade, prolongamento de cada 'eu' e espelho da personalidade, dê-me tua benção para que meu caminho seja eternamente digno e sereno"
Ah, são minhas as palavras. Bjão p vcs!
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